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Situado
a 190 km de Florianópolis, na latitude de 28° 00' 51'' e longitude
de 49° 43' 56'', num vale com 900 m de altitude em relação
ao nível do mar, com morros a sua volta que chegam a mais de 1.800
m de altura, este lugar é um dos mais lindos da serra, com suas
paisagens e vistas panorâmicas espetaculares. Incluído recentemente
no roteiro do turismo serrano e no Caminho das Neves, com o asfaltamento
da estrada que faz a ligação com São Joaquim. Ligação
esta que encurta o caminho para São Joaquim em quase 150 km para
quem sai de Florianópolis, não precisando ir a Lages ou
a Tubarão.
Em Urubici existem mais de 80 lugares de interesse ecoturístico,
e além de suas belas paisagens e cascatas, este município
produz uma farta e variada quantidade de frutas, verduras e produtos coloniais.
E é um dos lugares mais ricos em sítios arqueológicos
do Estado, apresentando uma variedade e quantidade, que indicam que desde
pelo menos 3.000 A.P. (antes do presente), populações com
culturas diversas habitaram e\ou passaram por aqui.
Nos mais de 80 sítios arqueológicos registrados e outros não
catalogados, existem diversas grutas, abrigos sob-rocha, casas subterrâneas,
galerias subterrâneas (algumas com petroglifos), aldeias antigas
com coroa artificial no topo das colinas, sítios de arte rupestre
e espetaculares monumentos rochosos.. Todos estes lugares, com um potencial
de atração turística muito grande, mas que infelizmente,
por nunca ter sido feito nada por parte de nossas autoridades e órgãos
responsáveis para a sua proteção e divulgação,
estão todos abandonados, sendo vandalizados e destruídos
aos poucos. Quando se conscientizarem da importância desses sítios
para o desenvolvimento cultural e turístico da região, talvez
seja tarde demais.
Está na hora de a sociedade local, através de suas associações
comunitárias e representantes legais, reivindicar a quarda destes
sítios, pois eles pertencem a todos nós.
Devido principalmente às galerias subterrâneas, esta região
sofreu no início do século, até a década de
30, uma devassa por parte dos caçadores de tesouros, que acreditavam
na lenda da existência de uma fabulosa mina de prata pertencente
aos jesuítas, o que resultou na destruição de alguns
sítios.
Modernamente, as primeiras pesquisas científicas na região
foram feitas pelo Professor Walter A. Piazza em 1964, conforme o seu livro
"As grutas de São Joaquim e Urubici", editado em 1966,
e pelo Padre Rohr, em 1966, conforme o seu livro "Os sítios
arqueológicos do Planalto Catarinense", Brasil, editado em
1971.
Os sítios com arte rupestre catalogados nessa época, são
os seguintes: Morro do Avencal (frente e fundos), Casa de Pedra, Morro
Pelado e Rio dos Bugres.
Em nossas pesquisas que começaram em dezembro de 1985, portanto
20 anos após a passagem do Padre Rohr na região, visitamos
e catalogamos a arte rupestre do Morro do Avencal (frente), da Casa de
Pedra, do Morro Pelado (o sítio foi destruído), da galeria
subterrânea do Rio dos Bugres e de outros morros e vales, em que
as buscas foram infrutíferas, e ficamos sabendo através
de moradores locais, sobre a ocorrência de arte rupestre em mais
três lugares. Infelizmente, porém, não nos foi possível
visitá-los.
Sítio UMA -
SI - A - B - C - D, Morro do Avencal - é o principal sítio
do município, com 4 painéis. Em 1987 foi cortada a mata
nativa que protegia e escondia os painéis, ficando eles sujeitos
à boa ou má vontade dos visitantes e ao acentuado deterioro
por causas naturais.
As diferenças dessa arte rupestre para a do litoral, começam
pela rocha suporte, que no litoral é basicamente o diabásio,
uma rocha dura, e aqui, uma rocha arenítica, mole, fácil
de trabalhar. Nota-se nos painéis n* 1 e n* 3 que a superfície
da rocha sofreu um abaixamento prévio, onde foram feitos os gravados,
com profundidades que chegavam aos 4 cm 20 anos atrás, estando
hoje em torno de 1,5 a 2,0 cm no máximo, confirmando o desgaste
sofrido por causas naturais. Aqui também temos a presença
de triângulos e quadrados, só que os triângulos são
formados por traços, tendo linhas e pontos internamente, formando,
em alguns casos, figuras de rostos e vulvas, e no litoral os triângulos
são formados por uma superfície cheia, abrasada, sem contorno
linear, são silhuetas sem linhas ou pontos internos. Os quadrados
ou paralelogramos são constituídos internamente por linhas
paralelas verticais, horizontais e oblíquas, formando um estilo
geométrico diferente dos do litoral.
Relata o Padre Rohr que encontrou traços ou vestígios de
tinta preta nos sulcos de alguns gravados, o que pode significar que originalmente
essas figuras eram pintadas ou repintadas, conforme o deterioro, ou em
certas épocas, para ficarem realçadas em eventos especiais,
pois este lugar era com certeza, um lugar sagrado, um lugar de culto,
para os povos que aqui viveram ou passaram.
Painel UMA - SI -
A: o primeiro da esquerda, o Painel das Máscaras.
Na parte superior do painel, a uns 4 m acima das outras sinalações,
temos uma figura no formato de uma máscara, que apelidamos de "Máscara
do Guardião", por estar situada numa posição
estratégica e por parecer querer incutir medo ou respeito ao lugar.
Ela foi elaborada numa superfície previamente preparada, estando
os olhos, as sobrancelhas, o rosto e a boca em sulcos gravados normais,
e, em alto relevo, o nariz. Este é o único sítio
de arte rupestre conhecido, em que foram usadas as técnicas de
baixo e alto relevo, o que confirma a importância desse painel.
Na parte inferior do painel existe outra máscara parecida com a
do "Guardião", e a predominância de triângulos,
sendo uns com o formato de rostos e outros formando o símbolo de
vulvas. Aproveitaram também uma rachadura natural da parede da
rocha para fazerem uma espécie de máscara.
As figuras com a forma de vulvas que se transformam em rostos triangulares,
nos mostram o simbolismo religioso, o matriarcado existente naquela época.
O mesmo motivo de vulvas também está presente na arte rupestre
da galeria subterrânea do Rio dos Bugres, mostrando a conexão
existente entre seus habitantes.
Painel UMA - SI - B: 5 m à direita do Painel das Máscaras.
É constituído
por um conjunto de figuras parecidas com paralelogramos, formados por
linhas verticais paralelas. Este painel é completamente diferente
do primeiro, tanto na técnica de execução, como no
estilo das figuras, parecendo proveniente de uma cultura diferente.
Painel UMA - SI - C: situado à direita do segundo painel, acompanhando
uma curva que faz a parede da rocha. Vamos dividi-lo em duas partes: a
primeira à esquerda, antes da curva, e a segunda à direita,
após a curva.
A primeira parte é constituída por figuras retangulares,
notando-se à esquerda, a figura de um antropomorfo que está
colocado acima de um retângulo com 7 divisões. No centro,
destaca-se um grande retângulo com linhas oblíquas, que possui
3 símbolos no interior.
À direita temos 8 retângulos menores, com diferentes divisões
internas, formando figuras diferenciadas umas das outras, portanto, figuras
com simbolismo diferentes.
A segunda parte do painel, após a curva, é constituída
por figuras no formato de retângulos e paralelogramos, sendo que,
para a confecção de algumas, a superfície da rocha
sofreu um rebaixamento prévio, mas somente em baixo das figuras,
e não em toda a superfície do painel. Este painel, por suas
características, é diferente dos 2 anteriores, podendo ser
proveniente de uma terceira cultura.
Painel UMA
- SI - D: situado à direita do anterior, numa parte côncava
da parede da rocha e acima de um grande buraco cheio d'água, possivelmente
feito por caçadores de tesouros.
Este é o maior dos painéis, com 4,50 m de comprimento e
que possui o maior número de sinalações. É
constituído em sua maioria por diferentes formas de retângulos
e paralelogramos, com distintas subdivisões, alguns triângulos,
linhas verticais, pequenos pontos e cúpulas, e algumas formas arredondadas.
Nota-se, no conjunto, que as sinalações foram feitas com
menos requinte, numa mistura de estilos, sem a preocupação
estética dos outros painéis, parecendo que foram sendo feitas
com o passar dos tempos, em épocas e por povos diferentes, preenchendo
toda a área do painel. Ou, sendo este painel o mais primitivo,
os outros foram feitos posteriormente. Esta dúvida somente será
solucionada quando se fizer uma datação direta dos painéis.
Sítio UMA - SII: situado numa fonte, 200 m à
direita dos painéis anteriores, é formado por apenas uma
sinalação e está na parede vertical, abaixo do jorro
da água da fonte, permacecendo constantemente molhada. Esta sinalação
não foi mencionada pelos pesquisadores antigos.
É constituída por uma sinalação no formato
triangular, com o vértice para cima, dividida por 2 linhas horizontais.
A de cima, saindo da esquerda, não alcança o lado direito,
e a segunda, saindo da direita, não atinge o lado esquerdo. As
linhas formam 3 secções, sendo que a de cima possui um símbolo
na forma de Y , e a do meio, duas pequenas linhas verticais paralelas.
FOTO N* 12 e DESENHO
Sítio
UCP - SI: Painel da Casa de Pedra.
A Casa de Pedra fica situada a 30 km de Urubici, na localidade de São
Pedro, distante 300 m da estrada que vai para a Serra do Corvo Branco,
em terras da fazenda do Sr. Raulino Niehus.
O painel está situado na parede dos fundos de um grande abrigo
sob-rocha, chamado de Casa de Pedra, gravado na rocha arenítica
e coberto totalmente por fungos e musgos, o que dificultou muito o registro
e a documentação fotográfica.
O painel é diferente de tudo o que foi visto até agora,
pois é constituído por um emaranhado de extensas linhas,
que se entrelaçam, por cúpulas e pontos, formas arrendondadas,
retangulares e triangulares, que se interligam, formando uma continuidade,
sem partes separadas, parecendo ter sido todo ele feito ao mesmo tempo.
Devido a todos estes aspectos, a dificuldade de fazer um desenho de todo
o painel é grande, o que ficou comprovado pelas diferenças
existentes nos desenhos feitos por Piazza em 1964 e pelo Padre Rohr em
1966, que diferem em muitos detalhes.
À direita do painel, pretendendo ser original, um pesquisador deixou
gravada uma mensagem para as futuras gerações, indicando
o local e o ano de suas pesquisas. Escreveu o ano de 1966, uma cruz, uma
seta que sai do local de sua escavação e dobra à
direita, apontando para uma igreja. Este é um exemplo de descaracterização
de um painel original, uma atitude prejudicial e contra todas as regras
de uma pesquisa arqueológica.
DESENHO n* 1 E DESENHO n* 2
FOTOS n*s 13, 14, 15 e 16
Galeria subterrânea
do Rio dos Bugres
Esta galeria ficou famosa por ter sido descrita pelo pesquisador J. A.
Praderg-Drenkpol, no Boletim do Museu Nacional em 1933, sob o título
de "Mysteriosas galerias subterraneas de Santa Catharina". No
boletim aparece a planta da galeria com suas 5 entradas e o desenho das
22 gravuras rupestres. Conseguimos catalogar 15 das 22 gravuras, sendo
elas semelhantes aos desenhos do boletim.
A maioria das gravuras são triangulares, com o vértice para
baixo, algumas com a forma de vulvas.
Pedra descoberta
Foi achada uma pedra original nesse município, na década
de 70, perto da Serra do Corvo Branco, por um lavrador e seu filho, quando
entraram em uma gruta para se proteger de um aquaceiro.
Esta pedra é um exemplar raro e único, tanto por suas gravuras
como por seu aspecto
peculiar, com gravações em alto e baixo relevo, com figuras
de homens de corpo inteiro e cabeças de répteis, a cabeça
de um homem, uma ave parecida com a Moa, ave extinta da Nova Zelândia,
dois felinos na parte superior e um outro animal desconhecido. Essa pedra
não se parece com nada conhecido, sendo os motivos antropomorfos
das gravuras completamente diferentes dos da arte rupestre mundial e das
cerâmicas conhecidas. A pedra integra atualmente uma coleção
particular.
Em nossas pesquisas, elevamos o número de sítios de arte rupestre de 6 (1 está desaparecido) para 25. E ao total de 40 sítios arqueológicos até então conhecidos, registramos mais de 40, elevando o total para mais de 80. Como novidade, além de diversos tipos de máscaras, encontramos grandes painéis com cúpulas, monumentos rochosos e estações líticas. E também rostos esculpidos em morros, que aparecem apenas em determinadas épocas do ano.
Veja tudo isso e muito mais, em nosso CD-ROM Urubici. |
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Pedra
Descoberta nos anos 70 |
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