| Em nosso projeto Ecoturismo em Tubarão, de 1997, quando da feitura do levantamento do potencial arqueológico e ecológico do município, foram catalogados 24 sítios arqueológicos e não foi achado nenhum sítio de arte rupestre. Foram registrados 12 sambaquis, 1 estação lítica, 4 casas subterrâneas, sendo 3 interligadas por um túnel, 8 monumentos rochosos e 1 abrigo sob-rocha. Grandiosa descoberta de arte rupestre feita durante o levantamento do potencial arqueológico do Parque Ecológico Itagres. Com uma área de 100 ha, o parque (em implantação) tem 90% de seu território encoberto pela Mata Atlântica e será um pólo de irradiação cultural, com o envolvimento dos funcionários, a comunidade, universidades e instituições de pesquisas. Grandiosa descoberta não pelo tamanho, mas por sua importância como instrumento para ajudar a desvendar o significado de alguns símbolos geométricos. É que, intencionalmente, as sinalações rupestres estão gravadas em monumentos rochosos, que, por sua vez, são marcos de solstícios e equinócios de um ancestral observatório astronômico. São três sítios de arte rupestre, cada qual com uma sinalação. O primeiro, a cerca de 150m do observatório, a rocha suporte é o marco que sinaliza o solstício de inverno ao nascer do sol. A gravura é constituída por 2 linhas paralelas e oblíquas, feitas numa superfície previamente preparada para que o conjunto das linhas, a superfície curva e a rocha suporte pareçam um rosto gordo, como as antigas representações do sol. Para os povos pré-históricos, o sol tinha também o seu lado espiritual e sagrado, pois como doador da vida, era considerado um deus. As linhas, de frente para o leste, indicam o caminho do sol desde o nascer até o meio dia, no caso, o topo da calota terrestre. O segundo sítio, cerca de 5m da pedra central do observatório astronômico, é constituído por um losango, que está gravado na rocha que marca os equinócios do observatório. Como se sabe, o losango é formado por 2 triângulos iguais com vértices opostos, e os equinócios, a divisão igual do período diurno e noturno e também o meio do caminho do sol. O terceiro sítio, cerca de 50m do observatório astronômico, é constituído por um triângulo com o vértice para baixo e está gravado na rocha que marca o solstício de verão no pôr-do-sol. Em Laguna existe um triângulo gravado na rocha com o vértice para cima, assinalando o solstício de verão no nascer do sol. Como podemos ver, pedras que marcam solstícios e equinócios, indicam o significado de seus símbolos geométricos e também a relação entre monumentos rochosos e arte rupestre. O observatório astronômico foi muito mexido, teve pedras cortadas, quebradas, deslocadas e até queimadas, mas a base está lá, com pedras que marcam solstícios e equinócios e outros eventos celestes. Projeta-se para o futuro reconstituí-lo, buscando aproximar-se do observatório original, uma relíquia, que por verdadeiro milagre, sobreviveu à maré destruidora de nossa avançada civilização. O Parque Ecológico Itagres está sendo implantado e espera-se que dentro de pouco tempo esteja apto a receber visitantes. |
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